A Fonoaudióloga Karla Romano Fala Sobre A Psicomotricidade

A Fonoaudióloga Karla Romano Fala Sobre A Psicomotricidade e Como Ela Pode Auxiliar o Processo de Aprendizagem da Criança

A educação psicomotora é fundamental para a aprendizagem e indispensável durante a fase escolar. Alguns podem não entender, mas a noção espacial, temporal, entre outras, influenciam o andamento das atividades da criança. A psicomotricidade, aliada com a fonoaudiologia, auxilia as questões que envolvem o processo de aprendizagem da leitura e escrita.

Para entender mais sobre a contribuição da psicomotricidade na aprendizagem, confira abaixo a entrevista com a fonoaudióloga Karla Romano.  

1)     Antes de falarmos sobre a influência que ela exerce no desenvolvimento de uma criança, vamos primeiro entender o que vem a ser a psicomotricidade?

R: A psicomotricidade é definida como uma ciência que estuda a questão psicológica e motora de um indivíduo e que tem como objetivo auxiliar o seu desenvolvimento.

2)     – Como ela pode contribuir para o tratamento fonoaudiológico?

R: Às vezes a criança está desorganizada neurologicamente falando, e isso com certeza influencia em seu dia a dia e em seu desenvolvimento escolar. É importante que o fonoaudiólogo tenha um embasamento na psicomotricidade, pois muitas vezes a criança está apresentando dificuldades na escola, mas isso porque a sua parte neurológica possa estar afetada. Alguns exercícios baseados na psicomotricidade podem ajudar a criança a se desenvolver nesse aspecto.

3)     – Quais tipos de exercícios?

R: Exercícios que trabalhem a questão motora e cognitiva, simbologia, lateralidade, temporalidade… Assim iremos estimular a criança para que ela se torne organizada neurologicamente.

Por exemplo, eu coloco bambolês no chão, pego aquelas letrinhas do alfabeto de borracha e dou para que a criança faça uma palavra, separando-a em sílabas dentro de cada bambolê. Dessa forma estamos trabalhando a noção espacial.

A psicomotricidade também pode auxiliar a criança com dificuldade auditiva. Posso trabalhar com a associação e inserir a música com o corpo. Por exemplo, mostrar um tambor e pedir que a criança faça o movimento e o som que aquilo representou para ela. Ali o paciente trabalha o corpo, ao fazer o movimento com as mãos, trabalha o rosto e o som, mexendo a boca . Enfim, diversos exercícios.

4)     – É possível que esses exercícios sejam feitos em casa, com os pais?

R: O ideal é que sejam realizados por um profissional que saberá como direcionar a criança. Todo exercício tem um porquê, a gente não faz aleatoriamente. Os pais até podem fazer, sim, mas não recomendo.

5)     – Pode acabar prejudicando a criança?

R: Sim. Se não for bem planejado e realizado na idade certa, o exercício, além de não atingir o objetivo, pode prejudicar o desenvolvimento da criança.

6)     – Em quais casos é fundamental utilizar a psicomotricidade no acompanhamento fonoaudiológico?

R: Se a criança pulou etapas durante o desenvolvimento, se ela está desorganizada ou algo aconteceu que atingiu a parte neurológica da criança, então ela precisa de organização. Nestes casos utilizamos a psicomotricidade. Podemos trabalhar o ritmo, som, direcionamento, noção corporal… Por exemplo, sentir as partes do corpo, pular num pé só, associar sons aos movimentos…

7)     – Existe uma faixa etária que seja mais recomendável e efetivo utilizar a psicomotricidade?

R: Até o período de uma pré-adolescência, ela tem uma grande efetividade. Durante a fase de alfabetização e de construção da personalidade, a psicomotricidade é mais eficiente, sim. Não vou dizer que não dá para trabalhar com um paciente adulto, mas eu acredito que o público alvo da psicomotricidade, junto com a fono, seja a criança nessa fase do início da alfabetização até a pré-adolescência.

8)     – Antes da alfabetização já é possível utilizar a psicomotricidade?

R: Sim. Antes da alfabetização é possível trabalharmos com a criança a noção corporal, por exemplo, “onde está a sua mão, onde está o nariz do palhaço”. Já dá para fazer alguns exercícios corporais, noção de toque, noção de própriocepção tátil, com a qual ela terá noção das texturas. Ao ensinarmos a parte do contato, a criança vai se descobrindo e isso vai desenvolvendo a noção do EU e a noção do outro, como é o meu espaço e o espaço do outro.

9)     – E esse estimulo faz com que a criança realize melhor as atividades escolares, além de ajudar no dia a dia?

R: Exatamente. Isso estimula as várias capacidades e habilidades cognitivas, ativa as diversas áreas do cérebro como a memória, a capacidade de identificação de letras, enfim, o desenvolvimento cognitivo em geral. Tudo isso faz com que a criança se desenvolva e se saia melhor na aprendizagem.

10)  – Qual é o período de alfabetização?

R: Normalmente é de 6 a 8 anos. Mas temos crianças com 5 anos que já são alfabetizadas.

11)  – O acompanhamento fonoaudiológico também está baseado em muitas brincadeiras?

R: Sim. É importante saber que o brincar desenvolve a criança, ali ela começa a desenvolver todas as suas habilidades. A psicomotricidade é um brincar com seriedade.

Por exemplo, através de brincadeiras podemos trabalhar o equilíbrio. A criança que não tem equilíbrio, futuramente pode apresentar dificuldades até para segurar um lápis e escrever.

12)   – Com relação às escolas, como você enxerga a participação delas para esse desenvolvimento cognitivo? 

R: A gente tem um sistema de educação meio arcaico. O ideal seria que dentro da própria escola isso já fosse trabalhado. Muitas vezes a criança não tem o déficit instalado, ou determinado distúrbio, o que ela tem é a falta de estímulos e habilidades que não são trabalhadas. A atitude da escola frente à espontaneidade do movimento da criança poderá influenciar fortemente o rumo do processo de aprendizagem. A escola que trabalha o desenvolvimento psicomotor tende a contribuir globalmente para o progresso do indivíduo.

13)   – A escola tem o seu papel, mas é importante os pais saberem que a criação e os costumes da criança, desde antes da escola, já devem influenciar de alguma forma?

R: Com certeza. Por exemplo, duas crianças da mesma idade, sendo que uma mora em apartamento e a outra mora em casa. A primeira fica direto no computador, só quer saber de internet e jogos eletrônicos. Em contrapartida, a outra corre, brinca na rua, pula corda… O corpo daquela primeira criança responde de uma forma ruim. Ela pode ser intelectual, sim, mas a parte motora não está sendo desenvolvida. Isso pode prejudicar na aprendizagem escolar dela e precisar de acompanhamento, exatamente por não ter estímulo.

As atividades físicas são importantes para o desenvolvimento psicomotor que, por sua vez, é fundamental para a aprendizagem.

 

Gostou da entrevista com a fonoaudióloga Karla Romano? Quer sugerir algum tema? Entre em contato conosco por email ou telefone.   

Karla Romano, Fonoaudióloga, CRFa 12225RJ

Anne Mascarenhas, Jornalista, DRT-SP 657-35

 

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