Quais As Causas Da Gagueira Infantil?

Quais As Causas Da Gagueira Infantil?

Disfluência Infantil ou Gagueira

Um ponto de concordância entre os que se dedicam a estudar os problemas de Gagueira-Em-Crian_as-Como-Tratarfluência é que a chamada gagueira de desenvolvimento na literatura especializada ou simplesmente gagueira, pelo senso comum, surge sempre na infância, num período que vai aproximadamente dos 3 aos 6 anos. Nessa fase a criança está adquirindo linguagem e esse processo exige prontidão para desenvolver vocabulário e organizar sentenças, sendo bastante frequente o aparecimento do que se chama disfluência infantil. Em termos da aquisição da linguagem, esta disfluência é explicada pela busca de palavras adequadas, num vocabulário ainda muito reduzido, pela tentativa de elaborar sentenças e se comunicar adequadamente. Nesses momentos a criança vacila, usa um tempo mais longo para começar a falar, para no meio da frase, prolonga ou repete alguns sons, o que é visto por muitos, principalmente pelos pais, como o início de uma gagueira.

A disfluência infantil, habitual na época de aquisição da linguagem, tem recuperação espontânea e tende a diminuir logo que a linguagem se desenvolva. A palavra “diminuir” foi usada aqui propositadamente, já que é sabido que falantes considerados fluentes apresentam disfluências que, embora algumas vezes até sejam frequentes, não caracterizam uma gagueira.

As disfluências são aceitas como naturais pelos ouvintes, desde que não sejam extremamente frequentes nem fujam muito das características do timbre, do volume e da tensão que vinham ocorrendo nessa comunicação. O falante de uma língua – com variações individuais de acordo com a sensibilidade de cada um para esse quesito – tem facilidade em captar quando essas disfluências excedem o que seria considerado uma incidência “normal” de rupturas. Para alguns, qualquer pequena hesitação na emissão seria um indício importante, para outros, a aceitação de grande quantidade de rupturas é natural. Essa variação entre os diferentes ouvintes pode estar relacionada com seu nível de exigência pessoal, com sua formação educacional ou hábitos de comunicação.  A grande valorização atual do poder de comunicação também tem incrementado a preocupação com esses tópicos.

A gagueira infantil surge na mesma época e tem características semelhantes às da disfluência infantil, o que torna difícil o diagnóstico diferencial. Acredita-se que algumas crianças já trazem em seu código genético a tendência para gaguejar e são estas que não têm recuperação espontânea, persistem desenvolvendo gagueira e tornando-a crônica.

A discussão sobre as características que diferenciam a disfluência infantil da gagueira é intensa entre os especialistas da área e relevantes pesquisas têm sido conduzidas em várias universidades do mundo. Os pesquisadores buscam conhecer quais os fatores de risco para o aparecimento da gagueira e assim trabalhar sua prevenção e intervenção precoce.

Parte do tratamento de uma criança que está começando a gaguejar é amplamente indireto: trabalha-se para mudar o ambiente através da orientação aos pais. Diversas variáveis devem ser controladas: é útil verificar em que circunstâncias a criança tem as maiores interrupções na fala. Com quem ela mais gagueja? Em que ocasiões (por exemplo: quando está muito cansada, excitada?) A partir do momento em que se descobre como e quando a criança está hesitando, deve-se procurar a modificação destas circunstâncias.

 

Por Ana Carolina Vieira

Fonoaudióloga

 

 

Artigos Relacionados:

- Dificuldades/Transtornos De Aprendizagem Recorrentes

- A influência das emoções na vida do ser humano

- Acompanhamento Fonoaudiológico

- Tratamento

 

Google+

Os comentários estão encerrados.