O que é Discalculia?

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SOBRE A DISCALCULIA

Muitos alunos apresentam dificuldade de aprendizagem da Matemática e a consideram um verdadeiro bicho de sete-cabeças. No entanto, a assimilação adequada dessa disciplina é essencial, uma vez que auxilia na organização do pensamento e estimula o raciocínio lógico e dedutivo. Além disso, ela é necessária para a aprendizagem de outras disciplinas da área de exatas (física e química, por exemplo) e matéria exigida em todos vestibulares e concursos.

Por esse motivo as dificuldades envolvidas no processo de ensino e aprendizagem da Matemática, se tornaram foco de atenção e muitos estudos.

Um transtorno específico de aprendizagem da Matemática que vem sendo estudado intensamente nos último anos é a DISCALCULIA.

Discalculia é um termo derivado do grego “dis” (= mal) e do Latin “calculare” (= contar) e pode ser definido como um transtorno – de origem neurobiológica – caracterizado pela dificuldade no processo de aprendizagem do cálculo. Ocorre em indivíduos de inteligência normal, sem déficits visuais ou auditivos, que apresentam inabilidades para a realização das operações matemáticas, falhas no raciocínio lógico-matemático, na solução de problemas verbais, nas habilidades de contagem, medida e tempo e na compreensão dos números.

Para que a aprendizagem da Matemática ocorra sem dificuldades e percalços, diversas habilidades e competências cognitivas precisam ser desenvolvidas desde os primeiros anos e vida, através da interação sadia da criança com seus familiares e do Ensino Infantil adequado. Dentre essas habilidades, destacam-se:

  • Memória: para armazenar e relembrar informações apresentadas.
  • Raciocínio abstrato: para compreender conceitos abstratos presentes na Matemática.
  • Habilidades espaciais: para compreender as relações de distância, tamanho, sequências numéricas e formas geométricas.
  • Processamento da informação: para a adequada compreensão e resolução de problemas matemáticos.
  • Habilidades motoras: influenciam na grafia dos números e auxiliam na direcionalidade e esquematização das operações numéricas.
  • Correspondência: é a competência básica de agrupar um objeto com outro e é necessária para compreensão da representação e formação de conjuntos numéricos.
  • Classificação: corresponde à competência de agrupar os objetos em categorias, de acordo com determinados critérios.

 

As principais características da Discalculia são:

  • Confusão com os sinais de + (adição), – (subtração), ÷ (divisão), x (multiplicação).
  • Dificuldades persistentes na realização de operações aritméticas, sendo necessário, em muitos momentos, contar nos dedos além da idade esperada.
  • Dificuldade para memorizar fatos aritméticos (tabuada).
  • Dificuldade de orientar-se no tempo e analisar as horas através de um relógio analógico.
  • Dificuldade para estimar a quantidade aproximada de objetos de um determinado conjunto (dificuldade na compreensão de conjuntos).
  • Dificuldade em assimilar a diferença entre números pares e ímpares.
  • Dificuldade em diferenciar lado esquerdo de lado direito.
  •   Confusão na direcionalidade ou apresentação das operações a realizar.
  • Dificuldade na conservação: não consegue identificar que os valores 6, 4+2 e 5+1 se correspondem.
  • Dificuldade de dizer uma sequência de números da ordem inversa (de trás para frente), exemplo: “10 – 9 – 8 – 7…”.

 

É importante citar que essas características não podem ser consideradas sintomas de Discalculia em crianças do Ensino Infantil e as que estão no início do ensino fundamental. É comum que durante esse período os alunos apresentem dificuldades na manipulação dos números, sinais e conceitos matemáticos. O diagnóstico correto de Discalculia só pode ser realizado por uma equipe multidisciplinar, através de uma avaliação minuciosa e, preferencialmente, após o 2º ano do Ensino Fundamental.

Com relação ao prognóstico, quanto mais cedo a Discalculia for diagnosticada, melhores serão os resultados obtidos através da intervenção terapêutica. Através da terapia fonoaudiológica, é possível reconstruir os caminhos de aprendizagem da matemática, abrindo espaço para o desenvolvimento de novas competências e habilidades.

É importante ressaltar que a criança que tem dificuldades de aprendizagem e, por esse motivo não vai bem na escola, acaba tendo uma visão negativa de si mesmo e internalizando o problema, gerando para si angústia, medo e desmotivação com tudo que se relacione com o ambiente escolar. Dessa forma, é vital que, percebido os sinais de qualquer transtorno específico de aprendizagem, a criança seja encaminhada para avaliação e atendimento com uma equipe multidisciplinar especializada.

 

Por Tatiana e Souza de Almeida

Fonoaudióloga

CRFª 6 – 7276

 

 

 

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